. Quando eu tinha uns 10 anos, meu sonho era ter 15 anos
Aos 15, meu sonho era ter 18
E hoje, aos 20 quase 21 meu sonho é voltar aos 10 anos
Sabe por quê?
Porque eu tinha tempo!
Isso, tempo!
Nunca pensei que ia sentir tanta falta do tempo como agora.
Queria voltar a tomar banho de chuva no verão, queria tempo para ver meus amigos que mesmo morando perto de casa quase não os vejo, queria sentar no sofá de manhã de pijama e meia no pé e ficar ali, a manhã inteira assistindo desenho com um prato de sucrilhos no colo, queria ter tempo de andar, passear, de ver o por-do-sol sem ser por detrás da janela do ônibus, queria dormir mais, ter menos olheiras, falar mais besteiras, pensar menos em trabalho, ter menos responsabilidades, menos contas a pagar.
Não, eu não estou reclamando, só queria o meu tempo de novo. O MEU tempo.
Por favor, me devolvam o meu tempo!

Ceci, minha querida, desculpe pela demora da resposta de sua carta, venho de uma viagem a Irlanda e somente hoje, após meses que a retorno.
A estada em sua casa me trouxe somente coisas boas, como a descoberta de que sei íntar uma parede, já que foi a primeira vez que tentei pintar uma. Sinto falta do vinil do Chico Buarque em plena 3 da matina à tocar, tal chico que tornou-se trilha sonora das nossas delicisas conversas com sabor de vinho comprado no bar da esquina de seu apartamento - Continuam tocando aquele samba com tom de embriaguês?- Era realmente engraçado ouvir sua risada gostosa após alguns copos. Sinto falta de sua vontade desesperada de comer brigadeiro, muitas vezes no meio da noite e quanto a toalha xadrez, bom, esse é um segredo que vou levar ao tumulo.
Mon Petit, essa viagem a Irlanda me fez muito bem, pude pensar em coisas que não pararia para pensar, pude sentir coisas que eu não sabia o que era. Saudade foi uma delas, e cá entre nós, dói sentir saudade. Senti falta dos dias que passei com você, senti sua falta. Sei que ir embora daquele jeito sem cumprir algo que te prometi foi um grande erro, mas agora quero arrumar seu chuveiro, arrumar o encanamento,aprender a fazer brigadeiro de panela sem queimar, quero voltar e arrumar o que tiver que arrumar, quero ficar, quero estar com você quando voc~e enjoar da parede laranja e quiser pintar de outra cor, quero ajudar a escolher esa outra cor, quero estar com você!
Volto à São Paulo em um mês, queria te ver me esperando no aeroporto com aquela sua blusa de lã que me fazia espirrar.
De seu
Pietro
Ps: Ainda tem aquele vinil do Ben?
Nina!

. Nina Nina Nina.
Nina havia se arrependido novamente.
Vivia de paixões imaginárias que passaram em não mais que um mês, as vezes até menos, por outras vezes, davam até certo mas o tempo era menor que um mês pra ela enjoar. Gostava de uns tipos estranhos, complicados, cheios de problemas a resolver. Sorria bobamente pelas ruas, imaginava cenas, treinava dialogos a frente do espelho, claro que nem metade do ensaio todo dava certo. Na hora tremia, gaguejava. Nina era timida, odiava a sua timidez excessiva, irritava-se consigo mesma numa revolta cheia de xingamentos internos que muitas vezes evoluia pra arrependimentos e um sentimento estranho de "nada deu certo".
Apesar de seus 20 e poucos anos, Nina era uma moleca, tão diferente das moças de sua idade. Nina odiava salto, achava desnecessário e desconfortável, era um sofrimento quando pensava em salto. Progressiva? Escova inteligente? Seus cabelos curtos, levemente cacheado nas pontas era o que lhe era necessário, gostava deles assim, do jeito que era.
Talvez se ela parasse de se preocupar, talvez se ela parasse de procurar defeitos e parasse de olhar os pés alheios. Ela só não queria frieira no pé e perfeição.
ê Dona Nina, e da sua vida? quem vai cuidar?
A menina mais triste de Olinda
Não tem gente que coleciona selos, moedas, botões? Então. Ele colecionava meninas tristes. De todos os lugares por onde passava. E, por causa de seu trabalho, ele andava por muitos lugares.
Existia um caderno no qual ele tomava notas sobre as meninas tristes que encontrava. Não era um diário nem
um projeto de livro, nada disso. Era apenas seu caderno de meninas tristes. Às vezes, junto das anotações, ele colava uma foto, em geral polaróides, mas era raro.
Havia a menina que não conhecera o pai, a que ficara triste desde o dia em que morreu seu gato e uma que não via graça em nada no mundo (nem mesmo numa manhã de abril?, ele perguntara; nem nisso, ela respondera – conforme o diálogo registrado no caderno). Ele encontrou meninas que não sabiam explicar a razão de sua tristeza. Eram tristes, e pronto. A maioria delas, porém, demorava a admitir isso.
O caderno falava de uma menina de Porto Alegre, que os óculos de
grau deixavam ainda mais triste, e até mesmo de uma estrangeira. Tristíssima. Uma loira chamada Irina, que ele conheceu em Dubi, uma cidadezinha perdida no interior da República Tcheca, quase na
fronteira com a Alemanha. Rota de caminhoneiros. Essa era triste
porque não conseguira escapar de uma sina familiar e ganhava a vida
da mesma maneira que a avó e a mãe: cobrava para dar alguns momentos de alegria aos motoristas que passavam por aquele lugar.
Um lugar muito triste, por sinal.
Ele era, enfim, um especialista em meninas tristes. Tanto que nunca confundia tristeza com timidez. Muitas tímidas, ele sabia, acabavam se revelando bem alegres.
Foi numa festa que ele conheceu a menina triste de Olinda, a mais triste de uma cidade conhecida pelo culto às alegrias. Era uma noite de lua muito clara, que ajudava a dar ao lugar em que estavam uma atmosfera de filme de Fellini. Nos fundos, à beira da água, erguia-se, imenso, cinzento, inopinado, um navio. Ancorado ali para sempre, feito uma homenagem monumental à inutilidade da poesia. Puro Fellini – o poeta da impossibilidade dos sonhos, a menina disse.
Ela estava sentada no chão, com as costas apoiadas na parede e as pernas encolhidas, rodeada por um bando de gente ruidosa e feliz. Mas parecia não estar ali naquele momento. Contemplava aquele navio absurdo com o olhar que reservamos para coisas que nunca mais tornaremos a ver. Feito uma estrela cadente, uma nuvem engraçada, uma certa cor de uma certa tarde, por exemplo.
Era Dia dos Namorados. E o que deixava triste a menina de Olinda era
m rapaz que vivia do outro lado do mundo, na Austrália. Pelo menos
foi isso que ele achou, como anotou em seu caderno mais tarde, no hotel. Mas estava enganado.
Conversaram sobre a vida, descobriram que sentiam falta das mesmas delicadezas no mundo. A menina triste apontou o céu, falou das constelações, contou que tivera um irmão mais velho, morto num acidente, e um cocker-spaniel chamado Olavo. Cultivava a melancolia como se fosse uma espécie de flor particular. E cultivava também, em segredo ainda, uma doença incurável.
Viram juntos o dia amanhecendo, iluminando lentamente o casario
ranco das ladeiras. Embora não fossem namorados, ganharam de presente naquele dia esse momento delicado do mundo. Ele falou de
seu trabalho, explicou por que não parava muito tempo no mesmo
lugar. Talvez nunca mais voltasse ali. Era uma pena, a menina triste disse. Ele sorriu, ela não.
Ele andou pelo mundo, viu uma cidade incendiar-se no crepúsculo, conheceu um vilarejo em que todos os homens têm o mesmo nome (homenagem a um padre milagreiro que viveu na região). Encontrou-se com outras meninas melancólicas. Nenhuma como ela, a menina mais triste de Olinda. De vez em quando, ele se lembra dela. Planeja voltar para vê-la, o que nunca acontece.
Ele nem sabe que ela não está mais entre nós.
Se a noite é estrelada, ele olha para o céu, mas, sem a ajuda da menina triste de Olinda, não consegue identificar nenhuma constelação. Um gesto inútil, que não leva a parte alguma. Igual ao navio ancorado nos fundos do lugar em que os dois se conheceram.
*Marçal Aquino é jornalista, escritor e roteirista dos filmes
Os matadores, Ação entre amigos e O invasor
Existia um caderno no qual ele tomava notas sobre as meninas tristes que encontrava. Não era um diário nem
um projeto de livro, nada disso. Era apenas seu caderno de meninas tristes. Às vezes, junto das anotações, ele colava uma foto, em geral polaróides, mas era raro.
Havia a menina que não conhecera o pai, a que ficara triste desde o dia em que morreu seu gato e uma que não via graça em nada no mundo (nem mesmo numa manhã de abril?, ele perguntara; nem nisso, ela respondera – conforme o diálogo registrado no caderno). Ele encontrou meninas que não sabiam explicar a razão de sua tristeza. Eram tristes, e pronto. A maioria delas, porém, demorava a admitir isso.
O caderno falava de uma menina de Porto Alegre, que os óculos de
grau deixavam ainda mais triste, e até mesmo de uma estrangeira. Tristíssima. Uma loira chamada Irina, que ele conheceu em Dubi, uma cidadezinha perdida no interior da República Tcheca, quase na
fronteira com a Alemanha. Rota de caminhoneiros. Essa era triste
porque não conseguira escapar de uma sina familiar e ganhava a vida
da mesma maneira que a avó e a mãe: cobrava para dar alguns momentos de alegria aos motoristas que passavam por aquele lugar.
Um lugar muito triste, por sinal.
Ele era, enfim, um especialista em meninas tristes. Tanto que nunca confundia tristeza com timidez. Muitas tímidas, ele sabia, acabavam se revelando bem alegres.
Foi numa festa que ele conheceu a menina triste de Olinda, a mais triste de uma cidade conhecida pelo culto às alegrias. Era uma noite de lua muito clara, que ajudava a dar ao lugar em que estavam uma atmosfera de filme de Fellini. Nos fundos, à beira da água, erguia-se, imenso, cinzento, inopinado, um navio. Ancorado ali para sempre, feito uma homenagem monumental à inutilidade da poesia. Puro Fellini – o poeta da impossibilidade dos sonhos, a menina disse.
Ela estava sentada no chão, com as costas apoiadas na parede e as pernas encolhidas, rodeada por um bando de gente ruidosa e feliz. Mas parecia não estar ali naquele momento. Contemplava aquele navio absurdo com o olhar que reservamos para coisas que nunca mais tornaremos a ver. Feito uma estrela cadente, uma nuvem engraçada, uma certa cor de uma certa tarde, por exemplo.
Era Dia dos Namorados. E o que deixava triste a menina de Olinda era
m rapaz que vivia do outro lado do mundo, na Austrália. Pelo menos
foi isso que ele achou, como anotou em seu caderno mais tarde, no hotel. Mas estava enganado.
Conversaram sobre a vida, descobriram que sentiam falta das mesmas delicadezas no mundo. A menina triste apontou o céu, falou das constelações, contou que tivera um irmão mais velho, morto num acidente, e um cocker-spaniel chamado Olavo. Cultivava a melancolia como se fosse uma espécie de flor particular. E cultivava também, em segredo ainda, uma doença incurável.
Viram juntos o dia amanhecendo, iluminando lentamente o casario
ranco das ladeiras. Embora não fossem namorados, ganharam de presente naquele dia esse momento delicado do mundo. Ele falou de
seu trabalho, explicou por que não parava muito tempo no mesmo
lugar. Talvez nunca mais voltasse ali. Era uma pena, a menina triste disse. Ele sorriu, ela não.
Ele andou pelo mundo, viu uma cidade incendiar-se no crepúsculo, conheceu um vilarejo em que todos os homens têm o mesmo nome (homenagem a um padre milagreiro que viveu na região). Encontrou-se com outras meninas melancólicas. Nenhuma como ela, a menina mais triste de Olinda. De vez em quando, ele se lembra dela. Planeja voltar para vê-la, o que nunca acontece.
Ele nem sabe que ela não está mais entre nós.
Se a noite é estrelada, ele olha para o céu, mas, sem a ajuda da menina triste de Olinda, não consegue identificar nenhuma constelação. Um gesto inútil, que não leva a parte alguma. Igual ao navio ancorado nos fundos do lugar em que os dois se conheceram.
*Marçal Aquino é jornalista, escritor e roteirista dos filmes
Os matadores, Ação entre amigos e O invasor
É DE RIR, MAS FAZ CHORAR

Poema feito por Kleber, que não gosta de ser chamado de Kleber, mas sim de Bay. Diz ele que foi dedicado a mim.
Fico agradecida por tanto
Eu sou um contador de causos
de causos do tipo bem triste
se me ver derramar uma lágrima
comovido por mim não fique
faz parte da minha penumbra
fazer o palhaço chorar
a plateia aplaudir de pé
a historia que vou lhe contar
Com a vida eu to de mal
por não tirar a minha dor
a saudade da mulher
que dos meus sonhos se mudou
quem me dera ela voltar
esse ano ou fim do mês?
e fazer o meu sonhar
mais bunito outra vez
Eu plantei no meu jardim
uma rosa com teu nome
por ser bonita demais
dela o sol não se esconde
o palhaço quando viu
não aguentou e chorou
de ver o sol apaixonado
por tão pequenina flor
O final desse causo
não é tão alegre assim
pois o sol sempre longe
não se sente tão feliz
porque ao se aproximar
da rosa se faz o fim.

. Nunca esperou por alguém perfeito, cheio de qualidade e nenhum defeito, ao contrário, Cecilia - ou Ceci- sempre esperou por alguém desajeitado,com defeitos, com o cabelo desalinhado que enrolava-se em seus próprios pensamentos saltando isso a boca. Nunca esperou alguém em um cavalo branco, poderia ser alguém a pé, que gostasse de caminhar. Nunca se imaginou numa novela mexicana, cheia de atritos e com a mocinha e o mocinho juntos no final, queria uma história alá Almodovar juntamente com as sua cores. Não queria apelidos carinhosos que lhe dariam nojo em um futuro breve, sabia que enjoaria em menos de um dia, queria ser chamada de Ceci, apelido esse, que ganhará de sua mãe logo que nasceu. Ela queria pouco, muito pouco, não queria jantares, não queria flores, não queria bombons e ursos em datas comemorativas, ela queria o que iria lhe alimentar a alma. Cores, sentidos aflorados, queria uma tarde vendo o por-do-sol, queria alguém diferente, alguém que não se transformasse em algo que não é só pra agradar, para fazer bonito, queria alguém sendo ele mesmo, nem menos nem mais, simplesmente ele, que gostasse de livros, de filmes, de manga verde com sal, de tardes numa rede ou noites na Paulista. Ele!
. Ah se eu pudesse, pegava o primeiro vôo com destino a Sergipe sem pensar mais de uma vez e a primeira coisa que faria quando chegasse seria te dá uma abraço bem apertado e falar " Eu falei que viria", entregar o presente em mãos e ficar conversando sobre tudo o que o tempo não nos deixou conversar, admirar o sotaque arrastado e ri das besteiras a serem contadas.
Pq você não vem a São Paulo? São Paulo é grande, é enorme, mas não é tão assustadora quanto parece.
Pq Sergipe tem que ser tão longe?
Saudade da Orla!
Venha embrulhado via Sedex, te receberei de braços abertos, mas se não der, venha de avião mesmo, tem até serviço de bordo!
Uma dose de felicidade para ambos
. Ao Sr. Anônimo

. Ao Sr. Anônimo e não Sra. ou Srta. pq tenho uma certa desconfiança de que seja um menino,garoto, homem, enfim, pessoa do sexo masculino. Agradeço pelos os comentários.
Tentar, por muitas vezes é tão dificil, ainda mais pelo o medo de tentar e bater com a cara no chão por ter errado mais uma vez. Erros são sempre muito duros. Claro que surpresas são sempre muito boas, não saber o que vai acontecer,não esperar por nada. Mas tentar? Aí que está o problema! Medo de tentar!

. Por muitas, por várias, por milhares de vezes, eu queria ser mais forte, queria ter raiva, magoa, ódio de alguém, mas não consigo, sequer consigo guardar rancor. Queria ser uma pedra, me vingar por toda a tristeza que fizeram passar, mas não consigo. Não, não sou nenhuma madre Tereza, jamais vou ser, mas não conheço o ódio ainda. no máximo decepção, que ao meu ver, é pior que ódio. Queria olhar você chorar e não sentir nenhum aperto no coração, não me sentir culpada por nada, já que realmente não sou, o único culpado foi você! Mas pq essa culpa? Queria olhar pra você e falar que não quero sequer ouvir sua voz pelo menos até a fim da minha vida, mas não posso, não consigo! Não consigo, não consigo, não consigo!
Pq se aproveitar da parte mais fraca que existe em mim?






